voltei, mas antes que não tivesse voltado.
depois de anos no fundo eu ainda sou a mesma. a fase adulta só prejudica as vezes quem nós queremos ser.
e com a mesma trilha sonora, depois de seis anos (eu acho), ainda sou a mesma.
não é assustador pensar que mesmo adulto ainda somos absurdamente inseguros? e sozinhos.
queria excluir isso aqui, passar um corretivo nessas mágoas que não conseguia falar com ninguém, ainda porque achava que ter diário na internet é coisa de adolescente. e eu hoje sou mulher feita. não sou? estudada, comprometida, sai sozinha, volta sozinha, pode beber, dirigir, falar palavrão, rir alto, falar de sexo e esperar as críticas. pessoa livre. livre?
pensei em mudar também, talvez um blog com outro endereço me representasse mais. eu senti saudade daqui, essa é a verdade. mas acho que no final me acostumei a imaginar que quem escrevia não era eu, mas uma parte perdida, adormecida. mentira.
não sei o que eu quero dizer, mas sei que agora me convenci de que foi bom ter voltado. quem seríamos nós sem nós mesmos, não é? se eu admitir, talvez, minhas partes, eu fique menos desintegrada.
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sábado, 14 de maio de 2016
quinta-feira, 11 de julho de 2013
tree
ah, aquela fossa de novo... eu não devia fazer disso aqui um diário, mas qual a saída? todo mundo muito cansado das minhas velhas merdas. é triste quando você afasta todo mundo.
tenho vergonha disso. vergonha de tudo que eu fiz pra me tornar quem eu sou hoje. se eu pudesse eu apagava tudo.
hoje eu passei o dia todo olhando o céu pela minha janela. aquela árvore seca, morta, a minha melhor amiga. eu podia dar um nome pra ela, eu podia achar que ela me entende mais do que eu mesma e é por isso que eu já não sei quem eu sou mais. eu sou o que essa árvore vê em mim. se um dia ela cair, eu caio também. parece que a gente vai morrendo na mesma velocidade.
toda vez que eu ouço aquelas ofensas eu sinto minha pele pegando fogo. é brasa. e a cicatriz deve ficar pra sempre. a vida é de merda mesmo.
quando eu for embora eu vou sentir falta da árvore. antes tinha uma sombra enorme, agora você só tem seus galhos secos pra oferecer por aí. e eu, só meus sentimentos ruins pra escrever aqui.
os bons eu guardo com força. se eu perder estes, eu me perco também.
abdiquei do meu sonho, não por altruísmo, mas por preguiça, por ciúme. esse fim de ano vai ser pior do que o outro. eu queria nunca mais ver um rosto conhecido de novo. a saudade faz lembrar as coisas boas.
mas o tempo passa, não passa? e daqui há alguns anos eu esqueço o quanto eu te amei um dia.
já esqueci de outros amores antes e nem nisso você vai ser especial. não vai ser a primeira que eu descartei.
quem é descartado sempre descarta no final. essa são as regras do jogo.
tenho vergonha disso. vergonha de tudo que eu fiz pra me tornar quem eu sou hoje. se eu pudesse eu apagava tudo.
hoje eu passei o dia todo olhando o céu pela minha janela. aquela árvore seca, morta, a minha melhor amiga. eu podia dar um nome pra ela, eu podia achar que ela me entende mais do que eu mesma e é por isso que eu já não sei quem eu sou mais. eu sou o que essa árvore vê em mim. se um dia ela cair, eu caio também. parece que a gente vai morrendo na mesma velocidade.
toda vez que eu ouço aquelas ofensas eu sinto minha pele pegando fogo. é brasa. e a cicatriz deve ficar pra sempre. a vida é de merda mesmo.
quando eu for embora eu vou sentir falta da árvore. antes tinha uma sombra enorme, agora você só tem seus galhos secos pra oferecer por aí. e eu, só meus sentimentos ruins pra escrever aqui.
os bons eu guardo com força. se eu perder estes, eu me perco também.
abdiquei do meu sonho, não por altruísmo, mas por preguiça, por ciúme. esse fim de ano vai ser pior do que o outro. eu queria nunca mais ver um rosto conhecido de novo. a saudade faz lembrar as coisas boas.
mas o tempo passa, não passa? e daqui há alguns anos eu esqueço o quanto eu te amei um dia.
já esqueci de outros amores antes e nem nisso você vai ser especial. não vai ser a primeira que eu descartei.
quem é descartado sempre descarta no final. essa são as regras do jogo.
| i can see my best friend from my window |
terça-feira, 31 de julho de 2012
Asa quebrada
Aquele pé maltrapilho. Aquela vontade de cama. Aquele desejo de tempo.Esses dias eu imaginei que se talvez eu desejasse com muita força, muita vontade, talvez eu conseguisse. Não que a questão seja só desejar, mas talvez se eu tivesse pensamento positivo a minha energia melhorasse. Sou dessas que acreditam em energia positiva, acreditar em energia positiva remete à acreditar na força do pensamento, eu acho. Eu vivo dizendo que não vou mais aguentar, eu vivo dizendo que vou me matar no meio do caminho, que vou morrer acidentada, adoentada, assassinada. Às vezes eu até me imaginava com um maluco agarrado ao meu pescoço, eu não ia gritar, nem reclamar de nada, ia ficar paradinha esperando o "final do serviço". Ou talvez eu berrasse, batesse, fugisse, me agarrasse à vida com força.
É que eu não tenho me agarrado com força a nada ultimamente, desistir no meio do caminho tem sido o dilema. É que são tantas pedras no meio do caminho que algumas são maiores do que eu. Ou maiores do que a minha vontade. Não vou dizer que faltam braços pra me ajudar a atravessar, não vou dizer que não tenho forças. Simplesmente porque estaria mentindo. Eu queria ter tudo aquilo que os vencedores têm, eu queria ter tudo aquilo que as pessoas legais têm. Mas não tem nada lá no fundo de mim, só desespero. Eu tenho o dilema de que se você está desesperado e sem forças e sem rumo, o melhor é sentar e chorar. Você senta, chora, faz birra, cara feia. Espera ajuda. Mas isso quando não se tem mais saída, quando não se tem mais aonde ir. E há pessoas pra ajudar. Sempre há. Não é? Mesmo que a ajuda não ajude. É que eu sou infantil. Não sei me virar sozinha, sou do tipo que fui protegida porque na rua tem estuprador e andar descalça mata. Mas aí de repente eu comecei a andar na rua com os estupradores a solta e andar descalça e não morrer. Pois é. Ando me perguntando que se eu pisar numa poça eu vou morrer com o xixi de rato que tem lá. Todo mundo sabe que poças têm xixi de rato.
Mas por outro lado eu fui do tipo que passou uma boa parte sozinha. Todo mundo falava baixinho, uma chorava num canto, o outro batia as portas. E todo mundo me chamava de "coitadinha". Talvez sejam essas lembranças que me afetem tanto. Antigamente eu não racionalizava muito isso, eu não tentava entender nada. Mas agora que ando racionalizando e entendo, ou interpreto tudo a meu favor, eu percebo que só houve um período em que tudo foi certo, um período em que havia tanto xixi de rato, estupradores e proibição de andar descalça. Porque depois ninguém via.
Eu poderia estar surpresa com minha passividade, permissividade, diante da compreensão de tudo isso. Mas eu sempre fui passiva, permissiva, não sei se por preguiça de levantar a voz ou por medo. Acho que por medo. Eu tenho medo de tudo que voa, tudo, passarinho, borboleta, gente livre. Porque eu tenho as asas quebradas. É por isso que não tenho vontade de pular as pedras, de querer com vontade, porque as minhas asas já estavam quebradas antes de eu nascer. Eu poderia até atravessar as pedras, eu poderia até desejar com muita força, eu poderia até conseguir. Mas eu tenho certeza que isso não leva a nada, eu não vejo nada além de hoje. Eu imagino, eu monto, mas não vejo sentido. Se você não vê não tem por que tentar. Não é?
É que eu não tenho me agarrado com força a nada ultimamente, desistir no meio do caminho tem sido o dilema. É que são tantas pedras no meio do caminho que algumas são maiores do que eu. Ou maiores do que a minha vontade. Não vou dizer que faltam braços pra me ajudar a atravessar, não vou dizer que não tenho forças. Simplesmente porque estaria mentindo. Eu queria ter tudo aquilo que os vencedores têm, eu queria ter tudo aquilo que as pessoas legais têm. Mas não tem nada lá no fundo de mim, só desespero. Eu tenho o dilema de que se você está desesperado e sem forças e sem rumo, o melhor é sentar e chorar. Você senta, chora, faz birra, cara feia. Espera ajuda. Mas isso quando não se tem mais saída, quando não se tem mais aonde ir. E há pessoas pra ajudar. Sempre há. Não é? Mesmo que a ajuda não ajude. É que eu sou infantil. Não sei me virar sozinha, sou do tipo que fui protegida porque na rua tem estuprador e andar descalça mata. Mas aí de repente eu comecei a andar na rua com os estupradores a solta e andar descalça e não morrer. Pois é. Ando me perguntando que se eu pisar numa poça eu vou morrer com o xixi de rato que tem lá. Todo mundo sabe que poças têm xixi de rato.
Mas por outro lado eu fui do tipo que passou uma boa parte sozinha. Todo mundo falava baixinho, uma chorava num canto, o outro batia as portas. E todo mundo me chamava de "coitadinha". Talvez sejam essas lembranças que me afetem tanto. Antigamente eu não racionalizava muito isso, eu não tentava entender nada. Mas agora que ando racionalizando e entendo, ou interpreto tudo a meu favor, eu percebo que só houve um período em que tudo foi certo, um período em que havia tanto xixi de rato, estupradores e proibição de andar descalça. Porque depois ninguém via.
Eu poderia estar surpresa com minha passividade, permissividade, diante da compreensão de tudo isso. Mas eu sempre fui passiva, permissiva, não sei se por preguiça de levantar a voz ou por medo. Acho que por medo. Eu tenho medo de tudo que voa, tudo, passarinho, borboleta, gente livre. Porque eu tenho as asas quebradas. É por isso que não tenho vontade de pular as pedras, de querer com vontade, porque as minhas asas já estavam quebradas antes de eu nascer. Eu poderia até atravessar as pedras, eu poderia até desejar com muita força, eu poderia até conseguir. Mas eu tenho certeza que isso não leva a nada, eu não vejo nada além de hoje. Eu imagino, eu monto, mas não vejo sentido. Se você não vê não tem por que tentar. Não é?
terça-feira, 3 de julho de 2012
Tudo de bom
Teve tudo de riso, tudo de novo, tudo de coragem, tudo de juventude, tudo de beleza, tudo de sinceridade, tudo de tudo que eu queria provar. Provar pra mim mesma que existia, provar pra alguém que eu tinha. Eu não me fiz perguntas difíceis, eu não me torturei, não despejei tudo de negativo por aí. O segredo é relevar tudo que te parece pesado, tudo que te deixa pra baixo, tudo que te faz mal. Não que eu tenha aprendido, não se aprende isso de uma hora pra outra. O segredo é rir dos que te desprezam, é achar graça quando te chamam de gorda, é brincar com o medo de dar tudo errado.
Você sabe que é provável que tudo termine, você sabe que a maioria não presta, você sabe que odeia aquele lugar. Mas bem lá no fundo tem algo de bom, talvez tudo tenha algo de bom. Mas a questão é encontrar o que é bom em você, em mim. Eu falo de você, mas você sou eu, assim como eu sou você. Mas é que a primeira pessoa dói, assim como nome dói, assim como palavra dói. E de tão masoquista você não para de escrever.
Você sabe que é provável que tudo termine, você sabe que a maioria não presta, você sabe que odeia aquele lugar. Mas bem lá no fundo tem algo de bom, talvez tudo tenha algo de bom. Mas a questão é encontrar o que é bom em você, em mim. Eu falo de você, mas você sou eu, assim como eu sou você. Mas é que a primeira pessoa dói, assim como nome dói, assim como palavra dói. E de tão masoquista você não para de escrever.
domingo, 1 de julho de 2012
"Quem sabe a temperatura do fogo é a panela"
Não gosto disso de cobrarem mais de mim do que dos outros. Não é pra todo mundo ser igual?
Mas é que se você passa a sua vida inteira se comportando de uma forma, sendo SEMPRE de um determinado jeito, não tem como fugir. E eu tento fugir.
Tô me cansando de fingir ser o que no fundo eu não sou, não tenho mais tempo pra ficar bancando aquela antiga pessoa. De uns tempos pra cá essa pele que eu visto começou a me pinicar, essa máscara no meu rosto tá me causando alergia. Esse é o momento em que "quem sabe a temperatura do fogo é a panela" e eu entendo isso. Só que você não entende, vocês não entendem.
Esse mês eu parei de levar a sério, ando fazendo tudo porcamente, da pior forma possível. Mas eu ainda faço.
Se eu fosse menos submissa talvez eu conseguisse me safar. Mas agora que já abusaram de mim esse tempo todo, que já me esfolaram esse tempo todo, que já me humilharam esse tempo todo, não tenho muito o que fazer. Sei que andam me espreitando e fazendo ameaças que não vão surtir efeito. Eu me conheço, não funciono sob pressão. Não esse tipo de pressão, não nesse momento. E as suas ameaças não são válidas.
Eu também perdi a fé. Não acredito nele, nem em você, nem em ninguém na face dessa Terra. Nem fora dela. Falei da fé porque o respeito por ele já perdi há séculos. No seu caso, bem, no seu caso eu não sei.
Se você me chama de besta, se você grita comigo, se você diz que eu preciso de você, se você ameaça me bater...eu não vou te respeitar também.
Mas não é só isso (nunca é só isso). Teve aquele momento que precisei conversar e você não estava, teve aquele momento que precisei de orientação e você não estava, teve aquele momento que precisei mais do que nunca e você não estava. Às vezes eu te parto ao meio, te atinjo no ponto fraco e você se machuca e me maldiz. Mas eu já te disse: não tenho medo de palavras, não me amedrontam.
Me tire de lá, eu sou a fruta podre, vou acabar com todo mundo. É melhor eu sair mesmo, nunca fui boa coisa, acho que nunca vou ser boa coisa.
Eu tenho sonhos ruins toda noite, eu me sinto cansada todo o tempo, não tenho disposição pra nada. Nem pra você. Inclusive pra você. O que me faz feliz você ignora, o que te faz feliz eu desprezo.
Mas sabe o que me esfola mais nisso tudo? A minha falta de coragem.
Se eu estou desistindo é por simples medo de não conseguir, então você deveria entender que eu preciso de ajuda, não de ameaças ou de esporros. Mas agora eu já desisti. Tanto de mim, quanto de você, quanto de tudo. Da vida, talvez. Mas ainda não tenho tenho coragem de desistir totalmente disso.
Se eu estou comendo como louca é porque eu estou ansiosa, não é por falta de educação, acomodação ou burrice (você adora me chamar de burra). Você não tem que me chamar de gorda, me mandar fazer execícios, regular o que eu como é só entender. Se você entender eu paro.
Talvez você só precise me perguntar como eu estou no meio disso tudo. Não é bem, você pode ter certeza.
Mas ainda temos momentos bons, ainda temos um tempo pela frente. Mas, do fundo do meu coração, espero que esse tempo seja bem curto.
A gente se distanciou bastante, já não te falo mais do meu dia, da miha vida, do que eu faço.
Eu minto também, mas é por medo. Eu choro também e é de culpa.
Mas talvez no fundo a culpa seja sua e eu seja a vítima. (Mesmo fazendo tudo errado, mesmo sendo torta por dentro e por fora, não sendo do jeito que deveria ser.) Adoro me fazer de vítima, dá pra chorar e fingir que estou morrendo de dor.
O problema é que eu realmente estou morrendo dor.
Mas é que se você passa a sua vida inteira se comportando de uma forma, sendo SEMPRE de um determinado jeito, não tem como fugir. E eu tento fugir.
Tô me cansando de fingir ser o que no fundo eu não sou, não tenho mais tempo pra ficar bancando aquela antiga pessoa. De uns tempos pra cá essa pele que eu visto começou a me pinicar, essa máscara no meu rosto tá me causando alergia. Esse é o momento em que "quem sabe a temperatura do fogo é a panela" e eu entendo isso. Só que você não entende, vocês não entendem.
Esse mês eu parei de levar a sério, ando fazendo tudo porcamente, da pior forma possível. Mas eu ainda faço.
Se eu fosse menos submissa talvez eu conseguisse me safar. Mas agora que já abusaram de mim esse tempo todo, que já me esfolaram esse tempo todo, que já me humilharam esse tempo todo, não tenho muito o que fazer. Sei que andam me espreitando e fazendo ameaças que não vão surtir efeito. Eu me conheço, não funciono sob pressão. Não esse tipo de pressão, não nesse momento. E as suas ameaças não são válidas.
Eu também perdi a fé. Não acredito nele, nem em você, nem em ninguém na face dessa Terra. Nem fora dela. Falei da fé porque o respeito por ele já perdi há séculos. No seu caso, bem, no seu caso eu não sei.
Se você me chama de besta, se você grita comigo, se você diz que eu preciso de você, se você ameaça me bater...eu não vou te respeitar também.
Mas não é só isso (nunca é só isso). Teve aquele momento que precisei conversar e você não estava, teve aquele momento que precisei de orientação e você não estava, teve aquele momento que precisei mais do que nunca e você não estava. Às vezes eu te parto ao meio, te atinjo no ponto fraco e você se machuca e me maldiz. Mas eu já te disse: não tenho medo de palavras, não me amedrontam.
Me tire de lá, eu sou a fruta podre, vou acabar com todo mundo. É melhor eu sair mesmo, nunca fui boa coisa, acho que nunca vou ser boa coisa.
Eu tenho sonhos ruins toda noite, eu me sinto cansada todo o tempo, não tenho disposição pra nada. Nem pra você. Inclusive pra você. O que me faz feliz você ignora, o que te faz feliz eu desprezo.
Mas sabe o que me esfola mais nisso tudo? A minha falta de coragem.
Se eu estou desistindo é por simples medo de não conseguir, então você deveria entender que eu preciso de ajuda, não de ameaças ou de esporros. Mas agora eu já desisti. Tanto de mim, quanto de você, quanto de tudo. Da vida, talvez. Mas ainda não tenho tenho coragem de desistir totalmente disso.
Se eu estou comendo como louca é porque eu estou ansiosa, não é por falta de educação, acomodação ou burrice (você adora me chamar de burra). Você não tem que me chamar de gorda, me mandar fazer execícios, regular o que eu como é só entender. Se você entender eu paro.
Talvez você só precise me perguntar como eu estou no meio disso tudo. Não é bem, você pode ter certeza.
Mas ainda temos momentos bons, ainda temos um tempo pela frente. Mas, do fundo do meu coração, espero que esse tempo seja bem curto.
A gente se distanciou bastante, já não te falo mais do meu dia, da miha vida, do que eu faço.
Eu minto também, mas é por medo. Eu choro também e é de culpa.
Mas talvez no fundo a culpa seja sua e eu seja a vítima. (Mesmo fazendo tudo errado, mesmo sendo torta por dentro e por fora, não sendo do jeito que deveria ser.) Adoro me fazer de vítima, dá pra chorar e fingir que estou morrendo de dor.
O problema é que eu realmente estou morrendo dor.
domingo, 11 de março de 2012
Maior do que tudo
É que as luzes me cegaram e eu perdi a noção do perigo. Hoje não tem cobrança, não tem olhar de esguelha, não tem recomendação. Hoje é o nada, e isso se resume ao tudo. E a cada passo uma nova gota que descia e inundava a felicidade maior que tudo. Hoje eu sou maior do que tudo.
Sou imortal.
Se nada pode me atingir deixa eu me mexer, deixa eu me enturmar, deixa eu sentir aquela sensação de novos tempos, de despreocupação, me deixa esquecer, me deixa esquecer.
Porque hoje meus pés se mexem junto com os seus e as suas gotas caem com as minhas. E a cada riso eu me reconstruindo porque hoje eu entendi o que é que eles enxergam em tudo isso, hoje eu entendi o que eles definem como diversão. E eu me diverti.
Deixa que meus pés morram e que eu me perca, porque hoje não quero me encontrar. Nada de conselhos, nada de brincadeiras sérias. Quero menos seriedade, a partir de agora, e justo nesse ano tão importante, quero menos seriedade e mais ação.
Quero me perder.
Sou imortal.
Se nada pode me atingir deixa eu me mexer, deixa eu me enturmar, deixa eu sentir aquela sensação de novos tempos, de despreocupação, me deixa esquecer, me deixa esquecer.
Porque hoje meus pés se mexem junto com os seus e as suas gotas caem com as minhas. E a cada riso eu me reconstruindo porque hoje eu entendi o que é que eles enxergam em tudo isso, hoje eu entendi o que eles definem como diversão. E eu me diverti.
Deixa que meus pés morram e que eu me perca, porque hoje não quero me encontrar. Nada de conselhos, nada de brincadeiras sérias. Quero menos seriedade, a partir de agora, e justo nesse ano tão importante, quero menos seriedade e mais ação.
Quero me perder.
segunda-feira, 5 de março de 2012
2012
O grito que sai do meu peito e que treme as minhas estruturas não foi eu quem começou. Não sou eu que maldigo o tempo e peço a morte, não fui eu quem errou primeiro.
Eu só quis que você olhasse e percebesse e sentisse e abraçasse. Lá fora, bem atrás daquelas paredes, eu sei que as águas escorrem inundando casas. Mas aqui está mais molhado. Lá fora, onde as cores são sóbrias e faltam expectativas, existe gente que olha para trás e grita como eu. E se a dor que sai de mim é maior do que todo meu ódio, por que não sucumbir?
Eu descobri o que é ter, o que realmente quer dizer, um dia ruim. Eu descobri que fui abandonada há anos atrás, mas a consciência da maldição caiu sobre meus cabelos e me molhou toda.
Se fosse apenas o descaso, a falta de compreensão, mas nem mesmo um olhar? Nem mesmo uma palavra de apoio?
Lá fora a água torrencial destrói tudo, mas parece que aqui está tudo quebrado, tudo partido, tudo. E eu me quebro mais. Antes morresse de novo, antes eu não tivesse ninguém.
A questão é clara, mas só agora posso ver. É que sinto mais medo do que nunca, é que tenho mais chances de errar do que nunca. Ano horroroso, vida horrorosa.
A tempestade que sacode tudo e treme a minha casa me arrastou e por mais que eu tente eu não volto mais. Desde àquele dia, desde àquele momento, eu não sei mais onde parei.
É que tem tanta coisa surgindo, tanta gente por aí que não sei.
A tempestade, agora eu entendo, está dentro de mim. Lá fora é tudo normal, lá fora tudo existe independentemente das minhas desilusões, mortes, esquartejamentos vivos. Lá fora tudo resiste, o que treme sou eu. O que morre sou eu, o que inunda sou eu.
Eu só quis que você olhasse e percebesse e sentisse e abraçasse. Lá fora, bem atrás daquelas paredes, eu sei que as águas escorrem inundando casas. Mas aqui está mais molhado. Lá fora, onde as cores são sóbrias e faltam expectativas, existe gente que olha para trás e grita como eu. E se a dor que sai de mim é maior do que todo meu ódio, por que não sucumbir?
Eu descobri o que é ter, o que realmente quer dizer, um dia ruim. Eu descobri que fui abandonada há anos atrás, mas a consciência da maldição caiu sobre meus cabelos e me molhou toda.
Se fosse apenas o descaso, a falta de compreensão, mas nem mesmo um olhar? Nem mesmo uma palavra de apoio?
Lá fora a água torrencial destrói tudo, mas parece que aqui está tudo quebrado, tudo partido, tudo. E eu me quebro mais. Antes morresse de novo, antes eu não tivesse ninguém.
A questão é clara, mas só agora posso ver. É que sinto mais medo do que nunca, é que tenho mais chances de errar do que nunca. Ano horroroso, vida horrorosa.
A tempestade que sacode tudo e treme a minha casa me arrastou e por mais que eu tente eu não volto mais. Desde àquele dia, desde àquele momento, eu não sei mais onde parei.
É que tem tanta coisa surgindo, tanta gente por aí que não sei.
A tempestade, agora eu entendo, está dentro de mim. Lá fora é tudo normal, lá fora tudo existe independentemente das minhas desilusões, mortes, esquartejamentos vivos. Lá fora tudo resiste, o que treme sou eu. O que morre sou eu, o que inunda sou eu.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Fênix
O problema, e talvez seja essa a questão, é seu. Mas não é culpa sua. É que está quente e você quer dormir e tem o cansaço e tem o estresse...
Mas é que aí você prefere morrer a abrir apostila.
Oh, Senhor, me mate agora, porque esse mundo que espera algo de mim não me merece.
E se eu não quisesse fazer nada? E se eu preferisse viver por aí? Essas pré-obrigações já me sufocam, as pessoas me sufocam, não é (só) o choro, mas as pessoas me sufocam. As pessoas que me matam, que me esfacelam várias vezes ao dia para eu renascer das cinzas e morrer de novo. Hoje eu estava pensando que estou na turma errada, que está tudo errado. Quem sai e se diverte e tem vida e bebe e faz mais amizades é mais feliz do que você que lê e assiste Cine Conhecimento. Você que tenta ouvir mais e falar menos nunca é levada em consideração. Cadê o nerdpower agora?
E seus pais que te julgam, te esmagam e tentam te forçar a ficar na linha que para você é torta. Você que já está na linha há anos e não consegue mais tomar nenhuma atitude que não condiga com ela.
Não é só a questão do olhar, as pessoas perguntam, exigem. Mas e se eu não quiser nada? Essa questão de ser levada pela correnteza por um caminho que você não escolheu seguir, que foi escolhido quando você nasceu. Eu não quero mais, não é para mim, desculpe. Se eu tivesse dito isso antes, se eu tivesse desistido antes, talvez ainda houvesse tempo de procurar saber, de ser menos infeliz e parcialmente bem-amada.
É que eu preciso de uma mão, eu preciso de apoio, eu preciso. Por favor, sem perguntas e justificativas, é que hoje, excepcionalmente hoje, eu preciso me debulhar em lágrimas porque eu não agüento mais andar por aí como se tudo fosse perfeito e não estivesse preocupada.
Por que? Eu, que só tenho 16 anos mal vividos, tenho que decidir agora? É que só quero sair, só quero amar. Será que ninguém leva em consideração meus sentimentos e hormônios?
“Mas você tem que passar por isso, é assim com todo mundo.”
É, é assim com todo mundo. E eu pergunto:
“Todo Mundo, como você agüenta? Porque eu já estou cansada e sem uma Mão não posso suportar mais.”
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
#Robert
Você vai ter mania de porta fechada e pescoço. Eu tenho mania de cotovelo e Dolores.
"É um nome que diz muito sem falar quase nada."
Eu vou entender seu defeito de silêncio e você, o meu de solidão.
Seu cheiro de cigarro, sua voz rouca, sua barba na minha bochecha.
E quando as palavras saírem dolorosamente pisadas, eu vou olhar para o chão e sentir o salgado cair por terra.
Não nos ocuparemos com as vãs desculpas, a verdade vai rasgar. Mesmo que de dentro para fora, mesmo que nos destruindo...
"Robert, quem vai morrer primeiro?"
"É um nome que diz muito sem falar quase nada."
Eu vou entender seu defeito de silêncio e você, o meu de solidão.
Seu cheiro de cigarro, sua voz rouca, sua barba na minha bochecha.
E quando as palavras saírem dolorosamente pisadas, eu vou olhar para o chão e sentir o salgado cair por terra.
Não nos ocuparemos com as vãs desculpas, a verdade vai rasgar. Mesmo que de dentro para fora, mesmo que nos destruindo...
"Robert, quem vai morrer primeiro?"
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Sobre estar perdida
Teve vontade de colocar uma bomba na boca. Mastigá-la com todo seu ódio e sentir os fios arranhando as entranhas antes de explodir. Olharia o almoço escorrendo pelas paredes, os pedaços da sua carne fraca e riria da própria má sorte com a voz esganiçada de uma vendida.
Era aquele sentimento de não estar bem consigo mesma, aquela vontade repentina de arrancar os sonhos com as unhas mal feitas. Abrir um buraco com faca de serra. E ver seu corpo se arrastando pelo chão em um geotropismo positivo de dar pena.Tirar a pele com pinça e zombar da sua "arte" burguesa que só olha para o próprio umbigo. Seu intelectualismo duvidoso, seu romance de conto erótico, suas amizades fedorentas. Arrancá-los com um canivete enferrujado e se perguntar o porquê de viver. Ser escalpelada pelos pecados. Provar seu próprio veneno.
Morrer.
Era aquele sentimento de não estar bem consigo mesma, aquela vontade repentina de arrancar os sonhos com as unhas mal feitas. Abrir um buraco com faca de serra. E ver seu corpo se arrastando pelo chão em um geotropismo positivo de dar pena.Tirar a pele com pinça e zombar da sua "arte" burguesa que só olha para o próprio umbigo. Seu intelectualismo duvidoso, seu romance de conto erótico, suas amizades fedorentas. Arrancá-los com um canivete enferrujado e se perguntar o porquê de viver. Ser escalpelada pelos pecados. Provar seu próprio veneno.
Morrer.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Black Swan
Era doce.
E suave. Era como a ponta da alma se arrastando pelo chão, era o corpo agitado que não queria se levantar e tremia, e tremia. E eram os suspiros e a vontade de agarrar tudo com as mãos e espremer entre os dentes aquela carne quente. E rodava entre os túneis com os punhos batendo nas paredes e se pudesse escalá-las... ah! Se pudesse escalá-las! E era um riso virando uivo e um grito se calando. Rasgando o que havia de dentro para fora. A implosão violenta na descoberta do não-ser. Era o ato de se fechar por reflexo, mas se abrindo cada vez mais. Eram os cabelos se agitando e pés querendo sair do chão cada vez mais próximo. As palavras de consolo penetrando mais fundo e as narinas abertas sem sugar ar nenhum. E as luzes já sumiam nos túneis e os dedos ficaram parados. Então o desespero de se perceber mudado sem nenhum amparo, então a vontade de fugir com os pés acorrentados. A decepção de não poder voar, a revolta pela corrupção e vergonha de si mesmo.O sangue seco, a vontade de deixar tudo em ordem quando nem se sabe mais a noção do tempo, quando não se tem mais freios, muito menos motivação. Vieram as imagens e o querer de agarrar tudo com as unhas fracas, o querer de perfurar e ver o sangue saindo pelos poros, o querer de ter tudo de volta quando tudo em que se sustentara era uma montanha de nada. Veio a certeza de se ter aprendido algo, a vaga lembrança de um sorriso.
Depois, a escuridão, o silêncio.
A solidão. E o nada
.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Questão de tempo
Arreganhe a boca e mostre o sorriso amarelo.
Aperte as entranhas com a força do álcool e arregace as mangas sujas.
Deixe que a ideia de embriaguez lhe entorpeça os sentidos e desdenhe da própria miséria.
Você não tem motivos para continuar de pé, se toda a sua dignidade se vendeu.
Você não tem motivos para olhar no espelho, se já vomitou na própria imagem.
Na verdade, você tem muito pouco. E para o nada é só uma questão de tempo.
Aperte as entranhas com a força do álcool e arregace as mangas sujas.
Deixe que a ideia de embriaguez lhe entorpeça os sentidos e desdenhe da própria miséria.
Você não tem motivos para continuar de pé, se toda a sua dignidade se vendeu.
Você não tem motivos para olhar no espelho, se já vomitou na própria imagem.
Na verdade, você tem muito pouco. E para o nada é só uma questão de tempo.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Boa
E talvez eu tenha esquecido do quanto eu gosto da minha cama, meu espaço, meu ar, minha vida.
Mas se é por um bom motivo de que vai importar a revolta agora?
Eu vou chegar até lá e sorrir, sorrir, sorrir. Seja uma boa menina.
E aqui dentro eu tenho um quarto que não é meu, um cheiro que não é meu, uma vida que não é minha.
Eu perdi a vergonha a caminho da praça, vendi a felicidade para comprar batatas e o sorriso frio foi ensaiado meticulosamente. Inferno!
"Não repita essa palavra de novo, isso não é coisa de menina decente!"
E olha só aquela saudade subindo as escadas. Eu acho que se pintar a unha de rosa ele vai pensar que mudei. Mas eu mudei, de verdade.
-Ei, não fujo mais de casa e não misturo sorvete com batata frita.
Mas todo mundo mudou. Todo mundo já toma vodka. E todo mundo sai. Menos eu.
Se eu quebrar essa mesa o castigo vai ser muito grande? Eu tenho tanta vontade de sumir, sumir, sumir. Só para não ter o trabalho de encarar tudo de novo. A vida de novo. Como me cansa!
E eu quero ser uma boa menina, menina boa não dá. É vulgar. De vulgar já me basta o short curto. E o batom. E o cabelo solto dessa forma.
"Que decote é esse?"
Por que será que eu não uso isso na minha cidade? É medo? Confessa, vagabunda, fala do medo do nome na praça!
Boa, boa, mas boa para quem? Ah, a resposta já vem! Não vou ser ingrata, ingratidão é uma coisa terrível!
Por que não me faço entender? E se me entenderem o que acontece? Aí perde a graça!
Para com isso! Não pense assim! Sorria, sorria, sorria.
Talvez você tenha talento para a felicidade.
É, talvez.
Mas se é por um bom motivo de que vai importar a revolta agora?
Eu vou chegar até lá e sorrir, sorrir, sorrir. Seja uma boa menina.
E aqui dentro eu tenho um quarto que não é meu, um cheiro que não é meu, uma vida que não é minha.
Eu perdi a vergonha a caminho da praça, vendi a felicidade para comprar batatas e o sorriso frio foi ensaiado meticulosamente. Inferno!
"Não repita essa palavra de novo, isso não é coisa de menina decente!"
E olha só aquela saudade subindo as escadas. Eu acho que se pintar a unha de rosa ele vai pensar que mudei. Mas eu mudei, de verdade.
-Ei, não fujo mais de casa e não misturo sorvete com batata frita.
Mas todo mundo mudou. Todo mundo já toma vodka. E todo mundo sai.
Se eu quebrar essa mesa o castigo vai ser muito grande? Eu tenho tanta vontade de sumir, sumir, sumir. Só para não ter o trabalho de encarar tudo de novo. A vida de novo. Como me cansa!
E eu quero ser uma boa menina, menina boa não dá. É vulgar. De vulgar já me basta o short curto. E o batom. E o cabelo solto dessa forma.
"Que decote é esse?"
Por que será que eu não uso isso na minha cidade? É medo? Confessa, vagabunda, fala do medo do nome na praça!
Boa, boa, mas boa para quem? Ah, a resposta já vem! Não vou ser ingrata, ingratidão é uma coisa terrível!
Por que não me faço entender? E se me entenderem o que acontece? Aí perde a graça!
Para com isso! Não pense assim! Sorria, sorria, sorria.
Talvez você tenha talento para a felicidade.
É, talvez.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Pintura
Se eu pudesse pintar meu sonho, eu pintaria uma parede com pequenos sorrisos de nervosismo. Pintaria uma batata frita entediada e pés se balançando. Pintaria um xícara de café disfarçada de paixão, pintaria o rosto dele no meu travesseiro. Pintaria um uniforme e um sorriso de vitória. Pintaria um beijo roubado num cinema com filme de nerd. Pintaria uma decepção do tamanho de uma melância e um hospital com choro alto. Pintaria uma menina pálida de olho caído e uma mão maldosa debaixo do vestido de morango. Pintaria um cabelo bagunçado com fita roxa e um pequeno medo escalando as cortinas. Pintaria uma amizade que foi ralada e uma criancinha barriguda. Pintaria nossa música que nunca existiu e uma esperança que nunca tive. Pintaria o amor que me prometeram e que se perdeu no caminho da verdade. Pintaria cálculos sem solução e uma careca com sorriso de gengiva. Pintaria uma cadelinha caída na estrada com olhar moribundo e uma gatinha vomitando sangue perto de uma adolescente chorosa. Pintaria uma certeza falsa e um sorriso podre. Pintaria o nada e um cotovelo estourando de dor.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Vendida
Eu me vendi. VENDIDA. Vou andar com um crachá por aí. E o pior é que a culpa não é deles, que me mandam fazer o "certo", que me mandam ser como eles. Eu sou mesmo a bosta. Só uma vendida para trair seus ideiais! Certo é ser pequena, é não sentir nada, não ser feliz. Tenha família, tenha uma casa, um emprego, morra. E não vou fazer nenhuma diferença, porque vou ser como eles. VEN-DI-DA. Eu tenho pena de mim, porque eu sou covarde. A verdade é que não lutar pelo que você quer é ser covarde, não ser capaz de enfrentar a maré que vem contra você. Eu só me rendi e ver aqueles que continuam lutando é triste. Porque eu sinto pena de mim por não ser como eles. "Estou tão cansada de mim mesma." Eu queria ir embora, fugir (olha meu lado covarde de novo), eu não quero ser eu. Eu tenho sonhos demais pra tão pouca idade, tenho medo demais pra tão pouco coração, tenho poucos anos demais pra tanta decepção. E me sinto tão envergonhada de pensar assim. Não tenho direito de querer ser feliz porque minha felicidade seria a tristeza de alguns. E eu aprendi a fazê-los felizes. Mas eu me destruo. E sem perceber espalho veneno por aí, porque minha tristeza é ácida, acabo ferindo que não tem nada a ver a também. Eu queria poder ir embora, agora mais do que nunca eu tenho vontade de ir. Mas é que eu sou tão covarde pra isso também! Eu não quero ser eu!!! A culpa é de quem? Fico tentando encontrar um culpado, quero ter quem odiar, porque isso de odiar a mim mesma está me destruindo. E o pior é que nem tenho direito de me sentir injustiçada. Injustiça seria não fazer o que me mandam, porque seria ingratidão. Eles me deram tudo, tudo que o dinheiro poderia comprar. Tudo que aquele pouco dinheiro poderia comprar, eles me querem alguém que eu não nasci com vontade de ser. E nem posso reclamar, reclamar de quê? Acho que perdi o direito de sonhar, ou melhor, ganhei o direito de realizar um sonho que não é meu. Não é para isso que a gente nasceu? Eu estou tão sozinha de repente! E esse batimento acelerado não há ninguém que entenda. Eu queria ter pelo menos o direito de chorar, porque não tenho nem o direito de sofrer. Será que alguém me entende? Eu queria ter alguém, não é só para beijar, porque eu nem entendo muito de beijo. Eu só queria ter alguém para chorar, saber que eu vou poder ser infeliz com alguém. Olha só, eu de novo, covarde. Será que não consigo enfrentar meus problemas sozinha? Eu queria amanhecer nos seus braços, sei lá o que vão pensar. Agora que me vendi para comprar um sonho que não me interessa, que não me faz feliz, sou mesmo uma vadia. Ficou tão chato de repente! Eu não quero mais nada disso. Por que a vida é assim? Eu não caibo na minha pele, quero um jardim com flores que não me interessam, quero amanhecer com as mão cheias de frutas podres, quero uma árvore para olhar. Mas agora o que eu mais quero é que amanheça logo. Quero que o dia acabe, para eu poder levantar bem. Mas é uma tortura saber que até o final do dia vou estar sentindo tudo de novo. Ah, como eu odeio tudo isso!
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Castelo
-Fui fazer um castelo de cartas e um vento, desses que fazem as folhas cair e as roupas balançarem no varal, derrubou tudo. E por mais que eu construisse tudo de novo, acabava vendo tudo desmoronar.
Aquele vento, Lola, era minha consciência.
Aquele vento, Lola, era minha consciência.
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Curiosidade
Eu fico guardando tanta coisa dentro de mim que eu acho que qualquer dia desses eu vou explodir.
E a minha maior curiosidade é: o que vai escorrer pelas paredes?
As palavras que ficaram entaladas ou os sonhos que cresceram demais?
E a minha maior curiosidade é: o que vai escorrer pelas paredes?
As palavras que ficaram entaladas ou os sonhos que cresceram demais?
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domingo, 5 de dezembro de 2010
Ele
E ele tinha aquela casca. Aquela crosta que não cabia, que não era dele. Aquela pele maldita, a boca maldita, o corpo maldito. Um corpo que não se encaixava, que não se media.
E eram suas palavras falsas, seus roucos lamentos, eram suas ambições. Tudo demais/menos para ele.
Era aquela roupa furada, um desejo furado. Tudo salpicado.
E ele se arrastava, rastejava numa existência vã.
E ele não era ele, nunca foi ele.
Porque ele simplesmente nunca existiu.
E se existiu, nunca teve muita importância.
E eram suas palavras falsas, seus roucos lamentos, eram suas ambições. Tudo demais/menos para ele.
Era aquela roupa furada, um desejo furado. Tudo salpicado.
E ele se arrastava, rastejava numa existência vã.
E ele não era ele, nunca foi ele.
Porque ele simplesmente nunca existiu.
sábado, 30 de outubro de 2010
Gula
A dignidade ficou na porta.
A culpa foi pelo ralo, mas os vestígios da mentira permaneceram na pia.
Retocou o batom do pecado, renovou o estoque de maldade, recompôs a nicotina.
Sentiu a putrefação e abriu o peito.
Subiu com vaidade enquanto caíam com fúria.
Colocou o vício na carteira, fechou a bolsa e atiçou a gula.
A culpa foi pelo ralo, mas os vestígios da mentira permaneceram na pia.
Retocou o batom do pecado, renovou o estoque de maldade, recompôs a nicotina.
Sentiu a putrefação e abriu o peito.
Subiu com vaidade enquanto caíam com fúria.
Colocou o vício na carteira, fechou a bolsa e atiçou a gula.
sábado, 18 de setembro de 2010
#Lola
Eu não gosto de lixeira cheia, não gosto de piadas estúpidas, de palavras não filtradas. Não gosto de não ter sorte, de não saber jogar xadrez. Não gosto de sinceridade forçada, de café fraco, de meias sem furo.
Não gosto de quem deixa refrigerante fora da geladeira, de quem ri muito, de quem ri alto, de quem fala demais, de quem finge que me atura, de quem me atura. Não gosto de televisão, de futebol, de música baixa. Não gosto de meninas, de meninos. Não gosto de chocolate, de banda que os integrantes são vivos, não gosto de xícaras vazias, de sorrisos gratuitos. De gente que não mente, de gente que mente.
Eu não gosto de gente.
O nome? Lola.
Não gostou? Nem eu.
Não gosto de quem deixa refrigerante fora da geladeira, de quem ri muito, de quem ri alto, de quem fala demais, de quem finge que me atura, de quem me atura. Não gosto de televisão, de futebol, de música baixa. Não gosto de meninas, de meninos. Não gosto de chocolate, de banda que os integrantes são vivos, não gosto de xícaras vazias, de sorrisos gratuitos. De gente que não mente, de gente que mente.
Eu não gosto de gente.
O nome? Lola.
Não gostou? Nem eu.
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