voltei, mas antes que não tivesse voltado.
depois de anos no fundo eu ainda sou a mesma. a fase adulta só prejudica as vezes quem nós queremos ser.
e com a mesma trilha sonora, depois de seis anos (eu acho), ainda sou a mesma.
não é assustador pensar que mesmo adulto ainda somos absurdamente inseguros? e sozinhos.
queria excluir isso aqui, passar um corretivo nessas mágoas que não conseguia falar com ninguém, ainda porque achava que ter diário na internet é coisa de adolescente. e eu hoje sou mulher feita. não sou? estudada, comprometida, sai sozinha, volta sozinha, pode beber, dirigir, falar palavrão, rir alto, falar de sexo e esperar as críticas. pessoa livre. livre?
pensei em mudar também, talvez um blog com outro endereço me representasse mais. eu senti saudade daqui, essa é a verdade. mas acho que no final me acostumei a imaginar que quem escrevia não era eu, mas uma parte perdida, adormecida. mentira.
não sei o que eu quero dizer, mas sei que agora me convenci de que foi bom ter voltado. quem seríamos nós sem nós mesmos, não é? se eu admitir, talvez, minhas partes, eu fique menos desintegrada.
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sábado, 14 de maio de 2016
terça-feira, 1 de outubro de 2013
deve ser coisa de filha única
às vezes eu queria saber descrever umas coisas. só pra todo mundo saber como foi bonito e o que eu senti. mas se o sentimento é bom e me anima e me faz tremer de rir eu não consigo dividir com ninguém.
é egoísmo.
até meu egoísmo eu divido. mas uma risada não.
é egoísmo.
até meu egoísmo eu divido. mas uma risada não.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Aqueles dias
Aqueles dias que eu sorria até pros panfleteiros e distribuía elogios por aí.
Teve gente que não acreditava que eu pudesse mudar tanto, mas a gente sempre dá um jeitinho de ir mais a fundo e revirar no fundo da alma pra ver o que descobre de bom.
E com todas aquelas amizades fofas e sorrisos e dias de sol eu passava a vida olhando tudo, crendo em tudo e sentindo tudo. Tem sempre aquilo, aquele, aquela que você volta a encontrar e te dá um aperto no peito. Eu queria aperto na cintura. Aperto de mão.
A vida pode ser bonita se a gente pinta tudo de azul e pára de assistir jornal.
Virgens Suicidas, Quando duas mulheres pecam, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Réquiem para um sonho...
Vamos deixar o sofrimento pra ficção das tardes.
A minha gatinha gorda e preguiçosa, eu mais gordinha e preguiçosa e rindo. O bolo queimando e eu nem aí.
Entender que a gente anda conforme o passo. Deixar os conflitos pra trás.
Deixar as velhas pessoas pra trás. Acreditar em Deus.
A vida só é boa quando a gente ignora o que tem de ruim.
Mas a questão é que isso não pode durar pra sempre.
Teve gente que não acreditava que eu pudesse mudar tanto, mas a gente sempre dá um jeitinho de ir mais a fundo e revirar no fundo da alma pra ver o que descobre de bom.
E com todas aquelas amizades fofas e sorrisos e dias de sol eu passava a vida olhando tudo, crendo em tudo e sentindo tudo. Tem sempre aquilo, aquele, aquela que você volta a encontrar e te dá um aperto no peito. Eu queria aperto na cintura. Aperto de mão.
A vida pode ser bonita se a gente pinta tudo de azul e pára de assistir jornal.
Virgens Suicidas, Quando duas mulheres pecam, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, Réquiem para um sonho...
Vamos deixar o sofrimento pra ficção das tardes.
A minha gatinha gorda e preguiçosa, eu mais gordinha e preguiçosa e rindo. O bolo queimando e eu nem aí.
Entender que a gente anda conforme o passo. Deixar os conflitos pra trás.
Deixar as velhas pessoas pra trás. Acreditar em Deus.
A vida só é boa quando a gente ignora o que tem de ruim.
Mas a questão é que isso não pode durar pra sempre.
sábado, 9 de março de 2013
Hoje
Hoje as estrelas sorriram pra mim quando eu fechei os olhos e pedi lá do fundo, bem do fundo.
Da minha janela eu vejo tijolos e chão grosso. Eu vejo crianças barrigudas e mulheres gordas.
Essa tarde um quê de esperança entrou debaixo da minha porta. E eu pulei e pulei de medo.
Mas acho que no final tudo se ajeita e a gente deixa de perder tempo.
Aquela moça que trabalha na máquina de xerox sorriu pra mim hoje e me perguntou se eu tinha visto o céu e tão lindo que ele tava.
Na vida a gente sempre tem moças do xerox pra lembrar que o céu tá bonito
e sempre tem uma janela pra ver o chão grosso e a criança barriguda.
Da minha janela eu vejo tijolos e chão grosso. Eu vejo crianças barrigudas e mulheres gordas.
Essa tarde um quê de esperança entrou debaixo da minha porta. E eu pulei e pulei de medo.
Mas acho que no final tudo se ajeita e a gente deixa de perder tempo.
Aquela moça que trabalha na máquina de xerox sorriu pra mim hoje e me perguntou se eu tinha visto o céu e tão lindo que ele tava.
Na vida a gente sempre tem moças do xerox pra lembrar que o céu tá bonito
e sempre tem uma janela pra ver o chão grosso e a criança barriguda.
quinta-feira, 7 de março de 2013
poderia
Você poderia falar da guerra.
Poderia falar das mães que perderam os filhos.
Poderia falar da Yoni Sanchez, do Hugo Chavez, do Chorão.
Do facebook, da morte súbita, dos coliformes fecais na água de poço.
Do governo brasileiro, do governo americano.
De Goethe, de Pessoa, dos Anjos.
Do cachorro que queria chegar do outro da rua,
da tangente transversal entre duas retas paralelas num mesmo plano,
da escassez de amor, de ódio.
Dos rompimentos, dos dias banais, das cruzadas.
Do tempo, das provas, dos amores.
Da padaria da esquina que não tem iogurte,
de gente que bebe cachaça, de gente que usa crack.
Das pessoas que você ama, das que você odeia,
das que você não sabe que existem.
Mas você só sabe falar de você mesmo.
Porque acha que a sua dor é a maior dor
do mundo.
Mas não é.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Asa quebrada
Aquele pé maltrapilho. Aquela vontade de cama. Aquele desejo de tempo.Esses dias eu imaginei que se talvez eu desejasse com muita força, muita vontade, talvez eu conseguisse. Não que a questão seja só desejar, mas talvez se eu tivesse pensamento positivo a minha energia melhorasse. Sou dessas que acreditam em energia positiva, acreditar em energia positiva remete à acreditar na força do pensamento, eu acho. Eu vivo dizendo que não vou mais aguentar, eu vivo dizendo que vou me matar no meio do caminho, que vou morrer acidentada, adoentada, assassinada. Às vezes eu até me imaginava com um maluco agarrado ao meu pescoço, eu não ia gritar, nem reclamar de nada, ia ficar paradinha esperando o "final do serviço". Ou talvez eu berrasse, batesse, fugisse, me agarrasse à vida com força.
É que eu não tenho me agarrado com força a nada ultimamente, desistir no meio do caminho tem sido o dilema. É que são tantas pedras no meio do caminho que algumas são maiores do que eu. Ou maiores do que a minha vontade. Não vou dizer que faltam braços pra me ajudar a atravessar, não vou dizer que não tenho forças. Simplesmente porque estaria mentindo. Eu queria ter tudo aquilo que os vencedores têm, eu queria ter tudo aquilo que as pessoas legais têm. Mas não tem nada lá no fundo de mim, só desespero. Eu tenho o dilema de que se você está desesperado e sem forças e sem rumo, o melhor é sentar e chorar. Você senta, chora, faz birra, cara feia. Espera ajuda. Mas isso quando não se tem mais saída, quando não se tem mais aonde ir. E há pessoas pra ajudar. Sempre há. Não é? Mesmo que a ajuda não ajude. É que eu sou infantil. Não sei me virar sozinha, sou do tipo que fui protegida porque na rua tem estuprador e andar descalça mata. Mas aí de repente eu comecei a andar na rua com os estupradores a solta e andar descalça e não morrer. Pois é. Ando me perguntando que se eu pisar numa poça eu vou morrer com o xixi de rato que tem lá. Todo mundo sabe que poças têm xixi de rato.
Mas por outro lado eu fui do tipo que passou uma boa parte sozinha. Todo mundo falava baixinho, uma chorava num canto, o outro batia as portas. E todo mundo me chamava de "coitadinha". Talvez sejam essas lembranças que me afetem tanto. Antigamente eu não racionalizava muito isso, eu não tentava entender nada. Mas agora que ando racionalizando e entendo, ou interpreto tudo a meu favor, eu percebo que só houve um período em que tudo foi certo, um período em que havia tanto xixi de rato, estupradores e proibição de andar descalça. Porque depois ninguém via.
Eu poderia estar surpresa com minha passividade, permissividade, diante da compreensão de tudo isso. Mas eu sempre fui passiva, permissiva, não sei se por preguiça de levantar a voz ou por medo. Acho que por medo. Eu tenho medo de tudo que voa, tudo, passarinho, borboleta, gente livre. Porque eu tenho as asas quebradas. É por isso que não tenho vontade de pular as pedras, de querer com vontade, porque as minhas asas já estavam quebradas antes de eu nascer. Eu poderia até atravessar as pedras, eu poderia até desejar com muita força, eu poderia até conseguir. Mas eu tenho certeza que isso não leva a nada, eu não vejo nada além de hoje. Eu imagino, eu monto, mas não vejo sentido. Se você não vê não tem por que tentar. Não é?
É que eu não tenho me agarrado com força a nada ultimamente, desistir no meio do caminho tem sido o dilema. É que são tantas pedras no meio do caminho que algumas são maiores do que eu. Ou maiores do que a minha vontade. Não vou dizer que faltam braços pra me ajudar a atravessar, não vou dizer que não tenho forças. Simplesmente porque estaria mentindo. Eu queria ter tudo aquilo que os vencedores têm, eu queria ter tudo aquilo que as pessoas legais têm. Mas não tem nada lá no fundo de mim, só desespero. Eu tenho o dilema de que se você está desesperado e sem forças e sem rumo, o melhor é sentar e chorar. Você senta, chora, faz birra, cara feia. Espera ajuda. Mas isso quando não se tem mais saída, quando não se tem mais aonde ir. E há pessoas pra ajudar. Sempre há. Não é? Mesmo que a ajuda não ajude. É que eu sou infantil. Não sei me virar sozinha, sou do tipo que fui protegida porque na rua tem estuprador e andar descalça mata. Mas aí de repente eu comecei a andar na rua com os estupradores a solta e andar descalça e não morrer. Pois é. Ando me perguntando que se eu pisar numa poça eu vou morrer com o xixi de rato que tem lá. Todo mundo sabe que poças têm xixi de rato.
Mas por outro lado eu fui do tipo que passou uma boa parte sozinha. Todo mundo falava baixinho, uma chorava num canto, o outro batia as portas. E todo mundo me chamava de "coitadinha". Talvez sejam essas lembranças que me afetem tanto. Antigamente eu não racionalizava muito isso, eu não tentava entender nada. Mas agora que ando racionalizando e entendo, ou interpreto tudo a meu favor, eu percebo que só houve um período em que tudo foi certo, um período em que havia tanto xixi de rato, estupradores e proibição de andar descalça. Porque depois ninguém via.
Eu poderia estar surpresa com minha passividade, permissividade, diante da compreensão de tudo isso. Mas eu sempre fui passiva, permissiva, não sei se por preguiça de levantar a voz ou por medo. Acho que por medo. Eu tenho medo de tudo que voa, tudo, passarinho, borboleta, gente livre. Porque eu tenho as asas quebradas. É por isso que não tenho vontade de pular as pedras, de querer com vontade, porque as minhas asas já estavam quebradas antes de eu nascer. Eu poderia até atravessar as pedras, eu poderia até desejar com muita força, eu poderia até conseguir. Mas eu tenho certeza que isso não leva a nada, eu não vejo nada além de hoje. Eu imagino, eu monto, mas não vejo sentido. Se você não vê não tem por que tentar. Não é?
terça-feira, 3 de julho de 2012
Tudo de bom
Teve tudo de riso, tudo de novo, tudo de coragem, tudo de juventude, tudo de beleza, tudo de sinceridade, tudo de tudo que eu queria provar. Provar pra mim mesma que existia, provar pra alguém que eu tinha. Eu não me fiz perguntas difíceis, eu não me torturei, não despejei tudo de negativo por aí. O segredo é relevar tudo que te parece pesado, tudo que te deixa pra baixo, tudo que te faz mal. Não que eu tenha aprendido, não se aprende isso de uma hora pra outra. O segredo é rir dos que te desprezam, é achar graça quando te chamam de gorda, é brincar com o medo de dar tudo errado.
Você sabe que é provável que tudo termine, você sabe que a maioria não presta, você sabe que odeia aquele lugar. Mas bem lá no fundo tem algo de bom, talvez tudo tenha algo de bom. Mas a questão é encontrar o que é bom em você, em mim. Eu falo de você, mas você sou eu, assim como eu sou você. Mas é que a primeira pessoa dói, assim como nome dói, assim como palavra dói. E de tão masoquista você não para de escrever.
Você sabe que é provável que tudo termine, você sabe que a maioria não presta, você sabe que odeia aquele lugar. Mas bem lá no fundo tem algo de bom, talvez tudo tenha algo de bom. Mas a questão é encontrar o que é bom em você, em mim. Eu falo de você, mas você sou eu, assim como eu sou você. Mas é que a primeira pessoa dói, assim como nome dói, assim como palavra dói. E de tão masoquista você não para de escrever.
domingo, 11 de março de 2012
Maior do que tudo
É que as luzes me cegaram e eu perdi a noção do perigo. Hoje não tem cobrança, não tem olhar de esguelha, não tem recomendação. Hoje é o nada, e isso se resume ao tudo. E a cada passo uma nova gota que descia e inundava a felicidade maior que tudo. Hoje eu sou maior do que tudo.
Sou imortal.
Se nada pode me atingir deixa eu me mexer, deixa eu me enturmar, deixa eu sentir aquela sensação de novos tempos, de despreocupação, me deixa esquecer, me deixa esquecer.
Porque hoje meus pés se mexem junto com os seus e as suas gotas caem com as minhas. E a cada riso eu me reconstruindo porque hoje eu entendi o que é que eles enxergam em tudo isso, hoje eu entendi o que eles definem como diversão. E eu me diverti.
Deixa que meus pés morram e que eu me perca, porque hoje não quero me encontrar. Nada de conselhos, nada de brincadeiras sérias. Quero menos seriedade, a partir de agora, e justo nesse ano tão importante, quero menos seriedade e mais ação.
Quero me perder.
Sou imortal.
Se nada pode me atingir deixa eu me mexer, deixa eu me enturmar, deixa eu sentir aquela sensação de novos tempos, de despreocupação, me deixa esquecer, me deixa esquecer.
Porque hoje meus pés se mexem junto com os seus e as suas gotas caem com as minhas. E a cada riso eu me reconstruindo porque hoje eu entendi o que é que eles enxergam em tudo isso, hoje eu entendi o que eles definem como diversão. E eu me diverti.
Deixa que meus pés morram e que eu me perca, porque hoje não quero me encontrar. Nada de conselhos, nada de brincadeiras sérias. Quero menos seriedade, a partir de agora, e justo nesse ano tão importante, quero menos seriedade e mais ação.
Quero me perder.
segunda-feira, 5 de março de 2012
2012
O grito que sai do meu peito e que treme as minhas estruturas não foi eu quem começou. Não sou eu que maldigo o tempo e peço a morte, não fui eu quem errou primeiro.
Eu só quis que você olhasse e percebesse e sentisse e abraçasse. Lá fora, bem atrás daquelas paredes, eu sei que as águas escorrem inundando casas. Mas aqui está mais molhado. Lá fora, onde as cores são sóbrias e faltam expectativas, existe gente que olha para trás e grita como eu. E se a dor que sai de mim é maior do que todo meu ódio, por que não sucumbir?
Eu descobri o que é ter, o que realmente quer dizer, um dia ruim. Eu descobri que fui abandonada há anos atrás, mas a consciência da maldição caiu sobre meus cabelos e me molhou toda.
Se fosse apenas o descaso, a falta de compreensão, mas nem mesmo um olhar? Nem mesmo uma palavra de apoio?
Lá fora a água torrencial destrói tudo, mas parece que aqui está tudo quebrado, tudo partido, tudo. E eu me quebro mais. Antes morresse de novo, antes eu não tivesse ninguém.
A questão é clara, mas só agora posso ver. É que sinto mais medo do que nunca, é que tenho mais chances de errar do que nunca. Ano horroroso, vida horrorosa.
A tempestade que sacode tudo e treme a minha casa me arrastou e por mais que eu tente eu não volto mais. Desde àquele dia, desde àquele momento, eu não sei mais onde parei.
É que tem tanta coisa surgindo, tanta gente por aí que não sei.
A tempestade, agora eu entendo, está dentro de mim. Lá fora é tudo normal, lá fora tudo existe independentemente das minhas desilusões, mortes, esquartejamentos vivos. Lá fora tudo resiste, o que treme sou eu. O que morre sou eu, o que inunda sou eu.
Eu só quis que você olhasse e percebesse e sentisse e abraçasse. Lá fora, bem atrás daquelas paredes, eu sei que as águas escorrem inundando casas. Mas aqui está mais molhado. Lá fora, onde as cores são sóbrias e faltam expectativas, existe gente que olha para trás e grita como eu. E se a dor que sai de mim é maior do que todo meu ódio, por que não sucumbir?
Eu descobri o que é ter, o que realmente quer dizer, um dia ruim. Eu descobri que fui abandonada há anos atrás, mas a consciência da maldição caiu sobre meus cabelos e me molhou toda.
Se fosse apenas o descaso, a falta de compreensão, mas nem mesmo um olhar? Nem mesmo uma palavra de apoio?
Lá fora a água torrencial destrói tudo, mas parece que aqui está tudo quebrado, tudo partido, tudo. E eu me quebro mais. Antes morresse de novo, antes eu não tivesse ninguém.
A questão é clara, mas só agora posso ver. É que sinto mais medo do que nunca, é que tenho mais chances de errar do que nunca. Ano horroroso, vida horrorosa.
A tempestade que sacode tudo e treme a minha casa me arrastou e por mais que eu tente eu não volto mais. Desde àquele dia, desde àquele momento, eu não sei mais onde parei.
É que tem tanta coisa surgindo, tanta gente por aí que não sei.
A tempestade, agora eu entendo, está dentro de mim. Lá fora é tudo normal, lá fora tudo existe independentemente das minhas desilusões, mortes, esquartejamentos vivos. Lá fora tudo resiste, o que treme sou eu. O que morre sou eu, o que inunda sou eu.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Fênix
O problema, e talvez seja essa a questão, é seu. Mas não é culpa sua. É que está quente e você quer dormir e tem o cansaço e tem o estresse...
Mas é que aí você prefere morrer a abrir apostila.
Oh, Senhor, me mate agora, porque esse mundo que espera algo de mim não me merece.
E se eu não quisesse fazer nada? E se eu preferisse viver por aí? Essas pré-obrigações já me sufocam, as pessoas me sufocam, não é (só) o choro, mas as pessoas me sufocam. As pessoas que me matam, que me esfacelam várias vezes ao dia para eu renascer das cinzas e morrer de novo. Hoje eu estava pensando que estou na turma errada, que está tudo errado. Quem sai e se diverte e tem vida e bebe e faz mais amizades é mais feliz do que você que lê e assiste Cine Conhecimento. Você que tenta ouvir mais e falar menos nunca é levada em consideração. Cadê o nerdpower agora?
E seus pais que te julgam, te esmagam e tentam te forçar a ficar na linha que para você é torta. Você que já está na linha há anos e não consegue mais tomar nenhuma atitude que não condiga com ela.
Não é só a questão do olhar, as pessoas perguntam, exigem. Mas e se eu não quiser nada? Essa questão de ser levada pela correnteza por um caminho que você não escolheu seguir, que foi escolhido quando você nasceu. Eu não quero mais, não é para mim, desculpe. Se eu tivesse dito isso antes, se eu tivesse desistido antes, talvez ainda houvesse tempo de procurar saber, de ser menos infeliz e parcialmente bem-amada.
É que eu preciso de uma mão, eu preciso de apoio, eu preciso. Por favor, sem perguntas e justificativas, é que hoje, excepcionalmente hoje, eu preciso me debulhar em lágrimas porque eu não agüento mais andar por aí como se tudo fosse perfeito e não estivesse preocupada.
Por que? Eu, que só tenho 16 anos mal vividos, tenho que decidir agora? É que só quero sair, só quero amar. Será que ninguém leva em consideração meus sentimentos e hormônios?
“Mas você tem que passar por isso, é assim com todo mundo.”
É, é assim com todo mundo. E eu pergunto:
“Todo Mundo, como você agüenta? Porque eu já estou cansada e sem uma Mão não posso suportar mais.”
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
#Robert
Você vai ter mania de porta fechada e pescoço. Eu tenho mania de cotovelo e Dolores.
"É um nome que diz muito sem falar quase nada."
Eu vou entender seu defeito de silêncio e você, o meu de solidão.
Seu cheiro de cigarro, sua voz rouca, sua barba na minha bochecha.
E quando as palavras saírem dolorosamente pisadas, eu vou olhar para o chão e sentir o salgado cair por terra.
Não nos ocuparemos com as vãs desculpas, a verdade vai rasgar. Mesmo que de dentro para fora, mesmo que nos destruindo...
"Robert, quem vai morrer primeiro?"
"É um nome que diz muito sem falar quase nada."
Eu vou entender seu defeito de silêncio e você, o meu de solidão.
Seu cheiro de cigarro, sua voz rouca, sua barba na minha bochecha.
E quando as palavras saírem dolorosamente pisadas, eu vou olhar para o chão e sentir o salgado cair por terra.
Não nos ocuparemos com as vãs desculpas, a verdade vai rasgar. Mesmo que de dentro para fora, mesmo que nos destruindo...
"Robert, quem vai morrer primeiro?"
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Sobre estar perdida
Teve vontade de colocar uma bomba na boca. Mastigá-la com todo seu ódio e sentir os fios arranhando as entranhas antes de explodir. Olharia o almoço escorrendo pelas paredes, os pedaços da sua carne fraca e riria da própria má sorte com a voz esganiçada de uma vendida.
Era aquele sentimento de não estar bem consigo mesma, aquela vontade repentina de arrancar os sonhos com as unhas mal feitas. Abrir um buraco com faca de serra. E ver seu corpo se arrastando pelo chão em um geotropismo positivo de dar pena.Tirar a pele com pinça e zombar da sua "arte" burguesa que só olha para o próprio umbigo. Seu intelectualismo duvidoso, seu romance de conto erótico, suas amizades fedorentas. Arrancá-los com um canivete enferrujado e se perguntar o porquê de viver. Ser escalpelada pelos pecados. Provar seu próprio veneno.
Morrer.
Era aquele sentimento de não estar bem consigo mesma, aquela vontade repentina de arrancar os sonhos com as unhas mal feitas. Abrir um buraco com faca de serra. E ver seu corpo se arrastando pelo chão em um geotropismo positivo de dar pena.Tirar a pele com pinça e zombar da sua "arte" burguesa que só olha para o próprio umbigo. Seu intelectualismo duvidoso, seu romance de conto erótico, suas amizades fedorentas. Arrancá-los com um canivete enferrujado e se perguntar o porquê de viver. Ser escalpelada pelos pecados. Provar seu próprio veneno.
Morrer.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Black Swan
Era doce.
E suave. Era como a ponta da alma se arrastando pelo chão, era o corpo agitado que não queria se levantar e tremia, e tremia. E eram os suspiros e a vontade de agarrar tudo com as mãos e espremer entre os dentes aquela carne quente. E rodava entre os túneis com os punhos batendo nas paredes e se pudesse escalá-las... ah! Se pudesse escalá-las! E era um riso virando uivo e um grito se calando. Rasgando o que havia de dentro para fora. A implosão violenta na descoberta do não-ser. Era o ato de se fechar por reflexo, mas se abrindo cada vez mais. Eram os cabelos se agitando e pés querendo sair do chão cada vez mais próximo. As palavras de consolo penetrando mais fundo e as narinas abertas sem sugar ar nenhum. E as luzes já sumiam nos túneis e os dedos ficaram parados. Então o desespero de se perceber mudado sem nenhum amparo, então a vontade de fugir com os pés acorrentados. A decepção de não poder voar, a revolta pela corrupção e vergonha de si mesmo.O sangue seco, a vontade de deixar tudo em ordem quando nem se sabe mais a noção do tempo, quando não se tem mais freios, muito menos motivação. Vieram as imagens e o querer de agarrar tudo com as unhas fracas, o querer de perfurar e ver o sangue saindo pelos poros, o querer de ter tudo de volta quando tudo em que se sustentara era uma montanha de nada. Veio a certeza de se ter aprendido algo, a vaga lembrança de um sorriso.
Depois, a escuridão, o silêncio.
A solidão. E o nada
.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Questão de tempo
Arreganhe a boca e mostre o sorriso amarelo.
Aperte as entranhas com a força do álcool e arregace as mangas sujas.
Deixe que a ideia de embriaguez lhe entorpeça os sentidos e desdenhe da própria miséria.
Você não tem motivos para continuar de pé, se toda a sua dignidade se vendeu.
Você não tem motivos para olhar no espelho, se já vomitou na própria imagem.
Na verdade, você tem muito pouco. E para o nada é só uma questão de tempo.
Aperte as entranhas com a força do álcool e arregace as mangas sujas.
Deixe que a ideia de embriaguez lhe entorpeça os sentidos e desdenhe da própria miséria.
Você não tem motivos para continuar de pé, se toda a sua dignidade se vendeu.
Você não tem motivos para olhar no espelho, se já vomitou na própria imagem.
Na verdade, você tem muito pouco. E para o nada é só uma questão de tempo.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Fumaça
E ela só conseguia pensar na xícara perto da cama. A fumaça que saía da boca dele e o gato arranhando a porta. Ela quer café, mas não consegue se mexer direito. Será que ele não percebe que a mata também? Era tão estranho abrir os olhos, ver aquele raio de sol iluminando aquele corpo caído, virado para janela. Aquela expressão nervosa de quem não quer olhar nos olhos. Ela precisava mesmo de café. E tinha aquela música baixa, tocando no fundo do quarto. Era quase uma lembrança melosa da dança. E o cinzeiro tá cheio, não te avisei para não fumar aqui? E aquele seu silêncio que doía... o arrependimento dele cortava os sentidos dela. Mas ela quase pediu perdão quando viu o número de cigarros no cinzeiro. E se sentar foi tão dificil, ela não queria chorar, jura que não. Mas ele ainda ficou soltando fumaça, fumaça. Talvez ela tenha perdido o bom senso no corredor.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Boa
E talvez eu tenha esquecido do quanto eu gosto da minha cama, meu espaço, meu ar, minha vida.
Mas se é por um bom motivo de que vai importar a revolta agora?
Eu vou chegar até lá e sorrir, sorrir, sorrir. Seja uma boa menina.
E aqui dentro eu tenho um quarto que não é meu, um cheiro que não é meu, uma vida que não é minha.
Eu perdi a vergonha a caminho da praça, vendi a felicidade para comprar batatas e o sorriso frio foi ensaiado meticulosamente. Inferno!
"Não repita essa palavra de novo, isso não é coisa de menina decente!"
E olha só aquela saudade subindo as escadas. Eu acho que se pintar a unha de rosa ele vai pensar que mudei. Mas eu mudei, de verdade.
-Ei, não fujo mais de casa e não misturo sorvete com batata frita.
Mas todo mundo mudou. Todo mundo já toma vodka. E todo mundo sai. Menos eu.
Se eu quebrar essa mesa o castigo vai ser muito grande? Eu tenho tanta vontade de sumir, sumir, sumir. Só para não ter o trabalho de encarar tudo de novo. A vida de novo. Como me cansa!
E eu quero ser uma boa menina, menina boa não dá. É vulgar. De vulgar já me basta o short curto. E o batom. E o cabelo solto dessa forma.
"Que decote é esse?"
Por que será que eu não uso isso na minha cidade? É medo? Confessa, vagabunda, fala do medo do nome na praça!
Boa, boa, mas boa para quem? Ah, a resposta já vem! Não vou ser ingrata, ingratidão é uma coisa terrível!
Por que não me faço entender? E se me entenderem o que acontece? Aí perde a graça!
Para com isso! Não pense assim! Sorria, sorria, sorria.
Talvez você tenha talento para a felicidade.
É, talvez.
Mas se é por um bom motivo de que vai importar a revolta agora?
Eu vou chegar até lá e sorrir, sorrir, sorrir. Seja uma boa menina.
E aqui dentro eu tenho um quarto que não é meu, um cheiro que não é meu, uma vida que não é minha.
Eu perdi a vergonha a caminho da praça, vendi a felicidade para comprar batatas e o sorriso frio foi ensaiado meticulosamente. Inferno!
"Não repita essa palavra de novo, isso não é coisa de menina decente!"
E olha só aquela saudade subindo as escadas. Eu acho que se pintar a unha de rosa ele vai pensar que mudei. Mas eu mudei, de verdade.
-Ei, não fujo mais de casa e não misturo sorvete com batata frita.
Mas todo mundo mudou. Todo mundo já toma vodka. E todo mundo sai.
Se eu quebrar essa mesa o castigo vai ser muito grande? Eu tenho tanta vontade de sumir, sumir, sumir. Só para não ter o trabalho de encarar tudo de novo. A vida de novo. Como me cansa!
E eu quero ser uma boa menina, menina boa não dá. É vulgar. De vulgar já me basta o short curto. E o batom. E o cabelo solto dessa forma.
"Que decote é esse?"
Por que será que eu não uso isso na minha cidade? É medo? Confessa, vagabunda, fala do medo do nome na praça!
Boa, boa, mas boa para quem? Ah, a resposta já vem! Não vou ser ingrata, ingratidão é uma coisa terrível!
Por que não me faço entender? E se me entenderem o que acontece? Aí perde a graça!
Para com isso! Não pense assim! Sorria, sorria, sorria.
Talvez você tenha talento para a felicidade.
É, talvez.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Pintura
Se eu pudesse pintar meu sonho, eu pintaria uma parede com pequenos sorrisos de nervosismo. Pintaria uma batata frita entediada e pés se balançando. Pintaria um xícara de café disfarçada de paixão, pintaria o rosto dele no meu travesseiro. Pintaria um uniforme e um sorriso de vitória. Pintaria um beijo roubado num cinema com filme de nerd. Pintaria uma decepção do tamanho de uma melância e um hospital com choro alto. Pintaria uma menina pálida de olho caído e uma mão maldosa debaixo do vestido de morango. Pintaria um cabelo bagunçado com fita roxa e um pequeno medo escalando as cortinas. Pintaria uma amizade que foi ralada e uma criancinha barriguda. Pintaria nossa música que nunca existiu e uma esperança que nunca tive. Pintaria o amor que me prometeram e que se perdeu no caminho da verdade. Pintaria cálculos sem solução e uma careca com sorriso de gengiva. Pintaria uma cadelinha caída na estrada com olhar moribundo e uma gatinha vomitando sangue perto de uma adolescente chorosa. Pintaria uma certeza falsa e um sorriso podre. Pintaria o nada e um cotovelo estourando de dor.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Castelo
-Fui fazer um castelo de cartas e um vento, desses que fazem as folhas cair e as roupas balançarem no varal, derrubou tudo. E por mais que eu construisse tudo de novo, acabava vendo tudo desmoronar.
Aquele vento, Lola, era minha consciência.
Aquele vento, Lola, era minha consciência.
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Xícara
Eu vi uma faca hoje e pensei em cortar a pele.
Só um pouquinho.
Para ver o café escorrendo das minhas veias. Mas fiquei com medo de furar demais, romper alguma coisa importante e nunca mais poder segurar uma xícara.
Só um pouquinho.
Para ver o café escorrendo das minhas veias. Mas fiquei com medo de furar demais, romper alguma coisa importante e nunca mais poder segurar uma xícara.
Curiosidade
Eu fico guardando tanta coisa dentro de mim que eu acho que qualquer dia desses eu vou explodir.
E a minha maior curiosidade é: o que vai escorrer pelas paredes?
As palavras que ficaram entaladas ou os sonhos que cresceram demais?
E a minha maior curiosidade é: o que vai escorrer pelas paredes?
As palavras que ficaram entaladas ou os sonhos que cresceram demais?
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