quinta-feira, 2 de julho de 2009

Só ele me anestesia...

Hoje me senti tão triste.
Mas ele estava lá. Com seu jeito tímido que eu conseguia perceber mais que ninguém, me olhava com seus olhos castanhos escuros incrivelmente sérios. Ele ficou parado colocando as mãos grandes na testa e olhando para o caderno enquanto enfiava os dedos longos nos cabelos com seu olhar concentrado na folha de papel e com uma caneta entre os dedos.
Me sentei na cadeira tentando não fazer barulho e ele virou seu olhar em minha direção no que pareceu ser menos de alguns segundos, mas que fizeram meu coração dar pulos e minha barriga dar ondinhas.
Coloquei o material na mesa e comecei a puxar os livros. Pude perceber que ele me fitava, lancei meu olhar em sua direção enquanto murmurava um "bom dia" e me virava novamente para mochila.
-Você está triste hoje.-Observou ele. Eu não me virei para fitá-lo, dei uma resposta qualquer e puxei um assunto sem importância. Ele deu um sorriso e uma resposta, depois olhou para frente na direção do professor e começou a olhar para mim e murmurar algo baixo, como se fosse um segredo. Me virei imediatamente em sua direção e comecei a ouvir o que ele tinha a dizer.
Ele começou a falar algo, enquanto eu olhava seus olhos que são estranhamente sérios por um motivo que talvez eu não saiba, por um instante o vi fitar meus lábios e os molhei involuntariamente e pensava secretamente se ele tinha vontade de me beijar. Mas seus olhos voltaram aos meus. Dei um sorriso a respeito do que ele me contara e despejei uma desculpa qualquer para segurar sua mão e sentir sua pele sob minha.
Fiquei murmurando alguma coisa sem importância enquanto segurava suas mãos quando o professor falou uma coisa que era importante e nós parávamos para ouví-lo. Não sei se ele relutou tanto em desgrudar nossas mãos como eu.
Depois de um tempo inventei uma coisa qualquer e me lancei sobre ele de braços abertos. Ele não ficou um pouco mais tímido que o normal e deu um risinho nervoso como era seu hábito.
Não hoje.
Ele me abriu os braços e lançou seus olhos sérios em direção aos meus lábios, o que me fazia perguntar internamente mais uma vez se tinha vontade de me beijar. Eu o abracei e senti seu cheiro de shampoo e roupa limpa e tive uma vontade súbita de fechar os olhos e adormecer.
Queria que ele me abraçasse para sempre e talvez até me beijasse de leve, só para eu guardar o gosto de seus lábios quando ele não estivesse mais aqui...
...mais só o abraço foi suficiente para anestesiar minha tristeza.
Quem me dera se ele anestesiasse minha solidão!
Ai, ai...

2 comentários:

Fernanda C. disse...

Kênia ficou tão lindo; tão romântico!
Espero que o garoto para quem isso foi escrito saiba valorizar a pessoa maravilhosa que você é!

Ouro Branco disse...

Noooooooooossa Ficouu peerfeito .
Soou vizinha da Marina . Ai da suaa sala .

Passa no meeu blog ?
A-do-rei o seu .