-Fui fazer um castelo de cartas e um vento, desses que fazem as folhas cair e as roupas balançarem no varal, derrubou tudo. E por mais que eu construisse tudo de novo, acabava vendo tudo desmoronar.
Aquele vento, Lola, era minha consciência.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Xícara
Eu vi uma faca hoje e pensei em cortar a pele.
Só um pouquinho.
Para ver o café escorrendo das minhas veias. Mas fiquei com medo de furar demais, romper alguma coisa importante e nunca mais poder segurar uma xícara.
Só um pouquinho.
Para ver o café escorrendo das minhas veias. Mas fiquei com medo de furar demais, romper alguma coisa importante e nunca mais poder segurar uma xícara.
Curiosidade
Eu fico guardando tanta coisa dentro de mim que eu acho que qualquer dia desses eu vou explodir.
E a minha maior curiosidade é: o que vai escorrer pelas paredes?
As palavras que ficaram entaladas ou os sonhos que cresceram demais?
E a minha maior curiosidade é: o que vai escorrer pelas paredes?
As palavras que ficaram entaladas ou os sonhos que cresceram demais?
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domingo, 5 de dezembro de 2010
Ele
E ele tinha aquela casca. Aquela crosta que não cabia, que não era dele. Aquela pele maldita, a boca maldita, o corpo maldito. Um corpo que não se encaixava, que não se media.
E eram suas palavras falsas, seus roucos lamentos, eram suas ambições. Tudo demais/menos para ele.
Era aquela roupa furada, um desejo furado. Tudo salpicado.
E ele se arrastava, rastejava numa existência vã.
E ele não era ele, nunca foi ele.
Porque ele simplesmente nunca existiu.
E se existiu, nunca teve muita importância.
E eram suas palavras falsas, seus roucos lamentos, eram suas ambições. Tudo demais/menos para ele.
Era aquela roupa furada, um desejo furado. Tudo salpicado.
E ele se arrastava, rastejava numa existência vã.
E ele não era ele, nunca foi ele.
Porque ele simplesmente nunca existiu.
sábado, 30 de outubro de 2010
Gula
A dignidade ficou na porta.
A culpa foi pelo ralo, mas os vestígios da mentira permaneceram na pia.
Retocou o batom do pecado, renovou o estoque de maldade, recompôs a nicotina.
Sentiu a putrefação e abriu o peito.
Subiu com vaidade enquanto caíam com fúria.
Colocou o vício na carteira, fechou a bolsa e atiçou a gula.
A culpa foi pelo ralo, mas os vestígios da mentira permaneceram na pia.
Retocou o batom do pecado, renovou o estoque de maldade, recompôs a nicotina.
Sentiu a putrefação e abriu o peito.
Subiu com vaidade enquanto caíam com fúria.
Colocou o vício na carteira, fechou a bolsa e atiçou a gula.
sábado, 18 de setembro de 2010
#Lola
Eu não gosto de lixeira cheia, não gosto de piadas estúpidas, de palavras não filtradas. Não gosto de não ter sorte, de não saber jogar xadrez. Não gosto de sinceridade forçada, de café fraco, de meias sem furo.
Não gosto de quem deixa refrigerante fora da geladeira, de quem ri muito, de quem ri alto, de quem fala demais, de quem finge que me atura, de quem me atura. Não gosto de televisão, de futebol, de música baixa. Não gosto de meninas, de meninos. Não gosto de chocolate, de banda que os integrantes são vivos, não gosto de xícaras vazias, de sorrisos gratuitos. De gente que não mente, de gente que mente.
Eu não gosto de gente.
O nome? Lola.
Não gostou? Nem eu.
Não gosto de quem deixa refrigerante fora da geladeira, de quem ri muito, de quem ri alto, de quem fala demais, de quem finge que me atura, de quem me atura. Não gosto de televisão, de futebol, de música baixa. Não gosto de meninas, de meninos. Não gosto de chocolate, de banda que os integrantes são vivos, não gosto de xícaras vazias, de sorrisos gratuitos. De gente que não mente, de gente que mente.
Eu não gosto de gente.
O nome? Lola.
Não gostou? Nem eu.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Café
A mão está fria. Segurando o café com os dedos trêmulos. O cigarro está acabando. A fumaça vai direto para o cabelo. A tosse é seca, a roupa é suja. Suja de vodka. Cheiro de álcool, alguém chamando no portão. Quem? Era o gato, o gato com os olhos amarelos e o pêlo negro.
O nariz sangrou, a ferrugem não enjoava. O sangue chegou aos lábios. Nem ralo, nem muito vermelho. O espelho partido. Uma rachadura enorme. Nenhum vestígio de lágrimas. Nenhum vestígio de dúvidas, tristezas, nada. O céu estava adivinhando a maldição.
Cadê?
Deve estar na bolsa, com os cigarros. Todos os cigarros intactos. Não, não está na bolsa. Deve estar debaixo do tapete, com as conversas sussurradas. As conversas sobre a mudança, a separação, a doença. Não, não está debaixo do tapete. Procure mais um pouco... Não, está nem aqui, nem ali. Deve ter se mudado para um texto que faça sentido. Ou para casa de alguém que tenha sentimentos.
O nariz sangrou, a ferrugem não enjoava. O sangue chegou aos lábios. Nem ralo, nem muito vermelho. O espelho partido. Uma rachadura enorme. Nenhum vestígio de lágrimas. Nenhum vestígio de dúvidas, tristezas, nada. O céu estava adivinhando a maldição.
Cadê?
Deve estar na bolsa, com os cigarros. Todos os cigarros intactos. Não, não está na bolsa. Deve estar debaixo do tapete, com as conversas sussurradas. As conversas sobre a mudança, a separação, a doença. Não, não está debaixo do tapete. Procure mais um pouco... Não, está nem aqui, nem ali. Deve ter se mudado para um texto que faça sentido. Ou para casa de alguém que tenha sentimentos.
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